O ensino da capoeira na rede pública esbarra no racismo, no proselitismo retórico de gestores e na burocrácia ultrapassada dos escaninhos do poder público. A viabilidade da prática nas instituições de ensino público passa primeiro por uma mobilização e conscientização da própria capoeiragem
A Capoeira na Escola na rede pública é um desejo de muitos dos detentores da prática. Muitos projetos de lei já foram aprovados em diversos municípios no Brasil. No entanto, o cumprimento da lei esbarra no proselitismo retórico e burocrático da esmagadora maioria dos chefes dos executivos, e seu exercito de servidores.
O ensino da capoeira para crianças e adolescentes nas escolas encontra base legal na Lei 10.639/03 e na Constituição Federal no seu artigo 242 parágrafo primeiro que diz: O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro.
Ocorre que o ensino da capoeira nas escolas da rede pública enfrenta uma grande barreira de ordem legal, burocrática, e até mesmo cultural. Esse é um problema que a sociedade tem que resolver. Enquanto sociedade refiro-me a todo o conjunto; detentores do saber da capoeira, sistema público de ensino como Secretaria de Educação, poder legislativo, entidades de representação, conselhos municipais, família, etc.

Recentemente municípios como Campinas-SP e Salvador – BA protagonizaram iniciativas legislativas que direcionavam a capoeira para a rede pública de ensino. Ambas as iniciativas não tiveram êxito. Por quê? Embora derrotados, os capoeiristas de Salvador fortaleceram o movimento pela retomada da iniciativa, lá, o prefeito soteropolitano vetou o projeto, a exemplo de Campinas. As justificativas para o veto nas duas cidades permanecem sob uma nuvem injustificável.
Em 2004, o prefeito da cidade de Hortolândia, região metropolitana de Campinas aprovara o projeto do ensino da capoeira na rede pública municipal em atendimento à recente da Lei 10639/03. No entanto, a regulamentação e a implementação dela nunca aconteceu, por quê?
Nas Universidades no nível de pós-graduação a capoeira tem sido disciplina regular e extensiva, num claro reconhecimento de suas competências pedagógicas e o seu conhecimento em si. Não é preciso a anuência formal para saber a amplitude disciplinar que abarca a prática e o ensino da capoeira.
Nesse sentido, proponho uma viagem, uma longa viagem jornalística para apurar e publicizar iniciativas de Capoeira na Escola. Quais os desafios legais que a prática enfrenta nesse cenário do século XXI e qual o papel do capoeirista em mais essa luta histórica.
